Conselho Diretivo da CNM/CUT debate indústria e reforça luta por jornada digna
Reunião em São Paulo destacou propostas para a indústria, mobilização pelo fim da escala 6x1 e acordo de combate ao racismo no trabalho
Publicado: 06 Agosto, 2026 - 14h11 | Última modificação: 06 Agosto, 2026 - 14h49
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
O segundo dia da reunião do Conselho Diretivo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), realizado na quarta-feira (5), na sede nacional da CUT, em São Paulo, reuniu dirigentes de todo o país para debater propostas voltadas ao fortalecimento da indústria brasileira, à geração de empregos de qualidade e à ampliação dos direitos da classe trabalhadora.
A programação começou com a apresentação das contribuições do Macrossetor Indústria da CUT aos planos de governo para as eleições de 2026. O documento propõe uma política industrial de longo prazo, baseada na inovação, no fortalecimento das cadeias produtivas, na sustentabilidade, na valorização do trabalho decente e na participação democrática como eixo do desenvolvimento nacional.
Saiba mais
Eleições 2026: Gabrielli aponta os desafios para o sindicalismo em debate da CNM/CUT
Conselho Diretivo da CNM/CUT debate indústria e mobilização dos metalúrgicos
Entre as medidas defendidas estão investimentos em ciência, tecnologia e inovação, apoio às micro e pequenas empresas, descentralização da atividade industrial, fortalecimento do planejamento estatal, criação de um Plano Indústria e ampliação das políticas de educação e qualificação profissional. O texto também propõe uma política econômica comprometida com o desenvolvimento produtivo e a redução das desigualdades sociais e regionais.
Durante os debates, o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, reforçou a mobilização nacional pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários e pelo fim da escala 6x1. O dirigente convocou a categoria para participar das atividades previstas em Brasília e em todo o país nos próximos dias.
“Chegou o momento da vitória dos trabalhadores e trabalhadoras pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1. No dia 10, teremos uma grande mobilização nacional. No dia 11, estaremos no Senado para conquistar essa vitória da classe trabalhadora brasileira. Redução da jornada sem redução de salário e fim da escala 6x1. Alcolumbre, bota para votar! Agora é o Senado!”, afirmou.
Igualdade racial
Outro destaque da programação foi a apresentação da secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos, a Chris, sobre o Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Confederação e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) para o triênio 2026 a 2029. A iniciativa estabelece uma agenda permanente para enfrentar o racismo no mundo do trabalho metalúrgico.
O acordo prevê ações de diagnóstico, formação, comunicação e criação de mecanismos de prevenção e combate à discriminação, fortalecendo a atuação sindical na promoção da igualdade racial e na construção de ambientes de trabalho mais justos e inclusivos para trabalhadoras e trabalhadores do ramo metalúrgico.
“O Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a CNM/CUT e o MIR é um passo fundamental para ampliar a nossa luta por um mundo do trabalho mais justo, com igualdade de oportunidades e livre de toda forma de discriminação”, disse.
A dirigente ressaltou que o êxito da iniciativa depende da participação de toda a estrutura sindical da CNM/CUT. “A implementação desse acordo é responsabilidade de todas e todos os dirigentes sindicais filiados à nossa Confederação. Para que essa iniciativa seja um verdadeiro sucesso, precisamos caminhar juntos, com compromisso, unidade e engajamento. Essa é uma luta coletiva. Nós passamos, mas a nossa luta e o nosso legado permanecem”, destacou.
Chris afirmou que a promoção do trabalho decente exige o enfrentamento das disparidades raciais presentes nas relações de trabalho. “Não há como enfrentar as desigualdades e construir um trabalho decente sem combater o racismo e as desigualdades raciais, que ainda marcam profundamente as relações de trabalho no Brasil”, declarou.
A secretária disse que a experiência desenvolvida pela CNM/CUT já desperta o interesse de outras categorias do movimento sindical. “O nosso Acordo de Cooperação Técnica já começa a se tornar referência para outros ramos do movimento sindical. Isso demonstra a importância de ampliar essa iniciativa para além do ramo metalúrgico, fortalecendo o compromisso de todo o movimento sindical com a promoção da igualdade racial e da justiça social”, concluiu.
Leia também
CNM/CUT e trabalhadores da Elgin fortalecem campanha salarial em Manaus
Saúde e segurança no trabalho mobilizam participação da CNM/CUT em encontro nacional
Mobilização metalúrgica garante ganho real e avanços nas campanhas salariais de 2026
CNM/CUT realiza oficina sobre IA para dirigentes e comunicadores sindicais
Seminário em Manaus fortalece negociação coletiva diante da reestruturação produtiva

