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Cooperação sindical avança entre Brasil e Alemanha

Seminário define formação de base, intercâmbio internacional e estratégias até 2028 para fortalecer a organização

Publicado: 25 Abril, 2026 - 13h53

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Cadu Bazilevski
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“Os problemas enfrentados no Brasil são muito semelhantes aos da Alemanha e de outros países”

A cooperação entre o IG Metall, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) consolidou novos passos após três dias de seminário dedicado à formação e organização sindical. O encontro, que terminou nesta sexta-feira (24), reuniu dirigentes e coordenadores para estruturar ações voltadas à base, com foco na ampliação da participação e no fortalecimento das entidades diante de um cenário global desafiador.

A programação incluiu avaliação do planejamento, definição de tarefas e apresentação de propostas à direção do SMABC. Também foram debatidas estratégias de longo prazo, com horizonte até 2028, incluindo intercâmbios, cursos e articulação internacional. A iniciativa busca integrar diferentes realidades do setor metalúrgico e construir respostas conjuntas para desafios comuns.

Maria do Amparo, secretária de Formação da CNM/CUT, destacou que “a atuação conjunta entre Brasil e Alemanha fortalece a luta por melhores condições de trabalho e amplia a capacidade de negociação frente às empresas”. Além da troca de experiências, o seminário reafirmou o papel da solidariedade internacional.

“Foram dias bastante produtivos, com foco no planejamento e no fortalecimento da atuação sindical”, afirmou Amparo. “O objetivo deste trabalho é preparar dirigentes e sindicatos para que sejam mais fortes e atuantes em suas bases por todo o nosso país”, disse.

Formação e cooperação
Angélica Giménez Romo, do Departamento de Relações Internacionais do IG Metall, destacou que o seminário consolidou avanços importantes na construção de um ciclo formativo. “Construímos medidas muito interessantes e proveitosas, que vão nos ajudar a reforçar a base dos nossos sindicatos e a cooperação entre a Alemanha e o Brasil”, afirmou, ao avaliar os três dias de atividades.

Segundo ela, as jornadas foram produtivas e permitiram alinhar ações concretas para os próximos períodos. “Foram jornadas muito produtivas, em que definimos diversas atividades que serão eficazes para o nosso desenvolvimento e para melhorar ainda mais nossa atuação”, disse, ao enfatizar o caráter prático das decisões tomadas.

A dirigente também reforçou a dimensão política da cooperação internacional. “A luta vale a pena, deve continuar e, juntos, somos mais fortes”, afirmou, ao enviar uma mensagem às trabalhadoras e aos trabalhadores brasileiros. Para ela, “o fortalecimento da base sindical é fundamental para enfrentar os desafios contemporâneos”.

Desafios globais
Fabian Menner, do Centro de Formação do IG Metall em Berlim, ressaltou que o seminário permitiu avançar na construção de estratégias comuns. “Nos reunimos em diversas atividades para implementar medidas de formação que fortaleçam nossas organizações e ampliem a participação”, afirmou, ao destacar o papel da formação como ferramenta de organização.

Ele avaliou que a ampliação da base sindical é decisiva para fortalecer a capacidade de negociação. “Com mais participação, aumentamos nossa capacidade de conquistar melhores condições de trabalho e de vida”, disse, ao defender a aplicação de estratégias organizativas no cotidiano das entidades.

Menner também chamou atenção para o caráter global dos desafios. “Os problemas enfrentados no Brasil são muito semelhantes aos da Alemanha e de outros países”, afirmou, ao citar impactos da transformação tecnológica e do cenário econômico. Segundo ele, “a resposta da classe trabalhadora precisa ser internacional”.

Estratégia e mobilização
O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, destacou que a organização de base depende da mobilização direta da categoria. “A organização no local de trabalho só acontece com mobilização. Ela não vem de fora para dentro, vem de dentro para fora”, afirmou, ao abordar a importância da participação ativa.

Ele ressaltou que a cooperação internacional é parte de uma estratégia de longo prazo. “Temos uma estratégia até 2028 para interligar a luta dos trabalhadores brasileiros e alemães”, disse, ao lembrar que a parceria já formou dirigentes que hoje estão na linha de frente das mobilizações sindicais.

Loricardo também apontou desafios atuais, como a necessidade de avançar em pautas nacionais. “Estamos mobilizados para conquistar a redução da jornada de trabalho no Brasil”, afirmou, ao destacar que a luta por direitos passa pela organização coletiva e pela articulação entre diferentes níveis do movimento sindical.

Formação e legado
Presidente eleito do SMABC, Wellington Damasceno enfatizou o papel central da formação sindical. “A formação não é individual, ela é coletiva. É a discussão de todos nós que constrói o sindicato”, afirmou, ao defender a ampliação das atividades formativas no cotidiano da militância.

Ele destacou que o intercâmbio internacional amplia a visão dos dirigentes. “Vocês terão a oportunidade de conhecer outras realidades, aprender metodologias e fortalecer a atuação no chão de fábrica”, disse, ao apontar que a troca de experiências contribui para enfrentar desafios como a queda da sindicalização.

Damasceno também lembrou a importância histórica da parceria com o sindicato alemão. “Se hoje somos uma referência na América Latina, devemos muito à parceria com o IG Metall, que apoiou nossa luta inclusive durante a ditadura”, afirmou, ao reforçar que a solidariedade internacional segue sendo fundamental para o futuro da organização sindical.