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DIEESE retrata avanços e desafios do Brasil em 30 anos

Síntese reúne indicadores de 1995 a 2025, aponta melhora no emprego e na renda e alerta para juros altos e desigualdade

Publicado: 07 Setembro, 2026 - 15h28

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
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“Brasil: Indicadores socioeconômicos selecionados” retrata as transformações entre 1995 e 2025

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou nesta sexta-feira (4) a síntese “Brasil: Indicadores socioeconômicos selecionados”, que retrata as transformações econômicas e sociais ocorridas no país entre 1995 e 2025.

Em sua quarta edição anual, a publicação foi elaborada para subsidiar dirigentes sindicais, trabalhadores e a população. Os dados estão divididos em três partes: condições de vida e trabalho, crescimento econômico e evolução dos preços, além das contas públicas e externas.

A recuperação do mercado de trabalho aparece entre os principais resultados. A taxa de desemprego chegou a 12% em 2018, último ano do governo Michel Temer, e caiu para 5,6% em 2025, no terceiro ano do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O número de empregos formais também avançou. O país passou de 28,7 milhões de vínculos em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, para 60,7 milhões em 2025. O crescimento foi mais intenso nos anos recentes, após as perdas observadas na década passada.

O DIEESE advertiu que a Relação Anual de Informações Sociais passou por uma mudança metodológica em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. A incorporação de registros antes ausentes exige cautela na comparação dos dados mais recentes com os anos anteriores.

O salário mínimo apresentou valorização real. Corrigido para preços de janeiro de 2025, passou de R$ 775,30 em 2002, no fim do governo FHC, para R$ 1.518,00 em 2025, sob Lula. Em janeiro de 2026, o piso nacional foi fixado nominalmente em R$ 1.621,00.

As negociações coletivas acompanharam a melhora do cenário. Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, 26,2% dos acordos analisados asseguraram reajustes superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em 2025, sob Lula, a proporção chegou a 75,8%, ainda abaixo dos melhores resultados da série.

A participação dos salários na renda nacional seguiu direção menos favorável. Após alcançar 44,6%, o indicador recuou para 39,2% em 2021, durante o governo Bolsonaro. “A renda nacional é distribuída basicamente entre capital e trabalho”, explicou o DIEESE.

Condições de vida
A desigualdade diminuiu no longo prazo, mas permaneceu elevada. O índice de Gini da renda domiciliar por pessoa caiu de 0,589 em 2002, último ano do governo FHC, para 0,511 em 2025, sob Lula. Quanto mais próximo de zero, mais equilibrada é a distribuição da renda.

A insegurança alimentar atingiu 58,7% da população durante a pandemia de Covid-19 e recuou para 24,1% em 2024, no governo Lula. O indicador retrata a falta de acesso pleno e permanente aos alimentos, enquanto a fome representa sua manifestação mais grave.

A comparação dos dados sobre alimentação exige cautela. As informações de 2020 e de 2021 e 2022 foram produzidas pela Rede Penssan, enquanto as demais vieram do IBGE. Mesmo com metodologias distintas, a série revelou forte piora na pandemia e recuperação posterior.

O consumo médio de carne bovina, associado ao emprego, à renda e aos preços, chegou a 26 quilos por habitante em 2025. O resultado superou os 23,9 quilos registrados em 2022, último ano do governo Bolsonaro, e retomou o nível observado no fim da década de 2010.

O botijão de gás de 13 quilos custava, em média, R$ 108,90 na revenda em 2025, enquanto o preço na refinaria era de R$ 34,90. A diferença incluía tributos e margens de distribuição e revenda, mantendo elevado o custo de um item essencial à alimentação.

Economia e indústria
O desempenho econômico variou intensamente entre os governos. O PIB cresceu, em média, 2,4% ao ano sob FHC e 4% nos dois primeiros mandatos de Lula. As médias foram de 1,1% com Dilma Rousseff, queda de 0,1% com Temer e alta de 1,4% com Bolsonaro.

Entre 2023 e 2025, nos três primeiros anos do atual governo Lula, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu, em média, 3% ao ano, já descontada a inflação. O indicador mede a renda gerada pelas atividades produtivas do país durante determinado período.

A indústria de transformação perdeu espaço na economia. Sua participação caiu de 15,1% do PIB em 2022, último ano do governo Bolsonaro, para 13,7% em 2025, sob Lula. O recuo preocupa pelos efeitos sobre empregos qualificados, inovação, tributos e agregação de valor.

Os investimentos federais em ciência e tecnologia apresentaram forte recuperação. Em valores corrigidos para dezembro de 2025, as despesas passaram de R$ 5,5 bilhões em 2000, durante o governo FHC, para R$ 19,5 bilhões em 2025, no atual mandato de Lula.

As emissões líquidas de gases do efeito estufa diminuíram de 2 bilhões de toneladas de carbono equivalente em 2023 para 1,5 bilhão em 2024. Segundo a síntese, metade das emissões brasileiras estava ligada ao desmatamento e um quarto, à agropecuária.

O consumo das famílias mais que dobrou em termos reais, passando de R$ 3,3 trilhões em 1996, durante o primeiro mandato de FHC, para R$ 8,1 trilhões em 2025, sob Lula. O indicador responde por mais de 60% do PIB pela ótica da demanda, acompanhando o emprego e a renda.

Em 2025, o salário mínimo permitia comprar 1,8 cesta básica em São Paulo, ante aproximadamente uma cesta em 1995, primeiro ano do governo FHC. O poder de compra, porém, permaneceu abaixo do pico de 2,1 cestas registrado em outros momentos da série.

A inflação medida pelo INPC encerrou 2025 em 3,9%, enquanto o dólar alcançou R$ 5,59. “Uma taxa de câmbio mais alta aumenta a renda dos exportadores, mas também eleva os custos dos importadores e pode ter efeitos inflacionários”, observou o DIEESE.

Contas do país
As reservas internacionais subiram de US$ 51,8 bilhões em 1995, primeiro ano do governo FHC, para US$ 358,2 bilhões em 2025, sob Lula. Esse volume ampliou a capacidade do país de enfrentar crises cambiais, financiar importações e cumprir compromissos externos.

A dívida externa líquida, que atingiu US$ 165 bilhões em 2002, no fim do governo FHC, tornou-se negativa e chegou a menos US$ 17,2 bilhões em 2025. “Quando é negativa, significa que o país é credor e não devedor”, destacou o DIEESE.

No campo fiscal, o governo federal apresentou déficit primário equivalente a 0,5% do PIB em 2025. A dívida líquida do setor público, que estava em 35,6% em 2015, durante o governo Dilma, retomou a trajetória de alta e alcançou 65,2% no atual mandato de Lula.

A taxa Selic chegou a 15% ao ano em 2025, nível que encareceu o crédito, desestimulou investimentos e ampliou o custo da dívida pública. As despesas com juros alcançaram R$ 891,9 bilhões, quase seis vezes os cerca de R$ 158 bilhões destinados ao Bolsa Família.

Enquanto o gasto financeiro avançou, as despesas da União com pessoal e encargos perderam participação no PIB. O indicador caiu de 4,8% em 2002, no encerramento do governo FHC, para 3,2% em 2025, resultado influenciado por períodos prolongados sem reajustes aos servidores.

A síntese mostrou que o Brasil encerrou 2025 com mais empregos, maior salário mínimo, inflação moderada e melhora na segurança alimentar. Persistiram, contudo, a elevada desigualdade, a perda de espaço da indústria, os juros altos e a pressão financeira sobre o orçamento público.

Para ler o estudo na íntegra, clique aqui.

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