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Encontro da CNM/CUT debate futuro do setor eletroeletrônico e defesa do emprego

Dirigentes sindicais discutem qualificação profissional, política industrial, automação e fortalecimento da organização dos trabalhadores

Publicado: 17 Julho, 2026 - 23h36

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
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A atividade também teve como foco a construção de estratégias para ampliar a organização sindical

O Encontro do Segmento Eletroeletrônico da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), realizado em Pernambuco no último dia 15, reuniu dirigentes sindicais de diversas regiões do país para discutir os desafios enfrentados pelas trabalhadoras e trabalhadores diante das transformações tecnológicas, da reestruturação produtiva e da necessidade de fortalecer a indústria nacional.

A atividade também teve como foco a construção de estratégias para ampliar a organização sindical e garantir empregos de qualidade. Secretária de Mulheres da CNM/CUT, Maria de Jesus destacou que a categoria enfrenta obstáculos históricos. Segundo ela, a terceirização e a alta rotatividade dificultam a qualificação profissional e comprometem a permanência dos trabalhadores nas empresas.

“Temos vários desafios, mas a terceirização e a alta rotatividade da mão de obra são alguns dos principais. Essa rotatividade impede que os trabalhadores tenham tempo para se requalificar diante das mudanças tecnológicas. Por isso, o movimento sindical busca alternativas junto ao setor patronal, principalmente durante as negociações coletivas, para garantir qualificação e proteção aos trabalhadores”, afirmou.

Para Maria de Jesus, fortalecer a ação sindical passa, sobretudo, pela organização da categoria e pelo diálogo permanente com a sociedade. “Precisamos continuar organizando os sindicatos junto com a classe trabalhadora e a sociedade civil. É fundamental conscientizar todos sobre os desafios que enfrentamos e construir soluções coletivas para enfrentar a oposição e defender os direitos dos trabalhadores”, disse.

A dirigente também defendeu maior transparência na aplicação dos recursos destinados ao desenvolvimento do setor. “É preciso ampliar o debate sobre os recursos dos incentivos tributários e dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. São recursos importantes, mas que muitas vezes não são aplicados na qualificação profissional dos trabalhadores nem em ações voltadas à saúde. Defendemos que esses investimentos também contribuam para gerar empregos de qualidade”, ressaltou.

Ao avaliar a importância do encontro, Maria de Jesus afirmou que a troca de experiências fortalece a atuação sindical em todo o país. “É muito importante reunir presencialmente os dirigentes sindicais. Esses encontros permitem a escuta, a troca de experiências e o compartilhamento das dificuldades e dos avanços de cada região. Isso fortalece todos os sindicatos e ajuda a levar esse debate para a base, colocando em prática, no chão de fábrica, as ações voltadas ao segmento eletroeletrônico”, concluiu.

Indústria e inovação
Secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo chamou atenção para a necessidade de o Brasil avançar tecnologicamente e deixar de ocupar apenas o papel de montador na cadeia produtiva do setor eletroeletrônico.

Segundo ela, a automação e a chegada de novas tecnologias aumentam a produtividade, mas também ampliam os riscos de desemprego tecnológico, terceirização e exclusão dos trabalhadores que não conseguem acompanhar as mudanças.

“O setor eletroeletrônico é a base da Indústria 4.0, mas o Brasil ainda ocupa, em grande parte, o papel de montador. Produzimos desde celulares até equipamentos industriais, porém os componentes de maior valor agregado continuam sendo importados. Para os trabalhadores, isso significa desemprego tecnológico, precarização das relações de trabalho e falta de qualificação para operar as novas tecnologias”, explicou.

Kelly afirmou que a CNM/CUT defende uma política de inovação que caminhe ao lado da valorização do trabalho. “A tecnologia precisa caminhar junto com direitos. Defendemos investimentos em qualificação profissional, proteção nas convenções coletivas contra demissões provocadas pela automação e maior participação dos trabalhadores nas decisões sobre a implantação dessas tecnologias”, destacou.

Para fortalecer a organização sindical, a dirigente defendeu a ampliação das comissões de fábrica e a produção de informações estratégicas sobre o setor. “Nossa prioridade é fortalecer a organização nos locais de trabalho, criando e ampliando as comissões de fábrica e a atuação sindical dentro das empresas. Também queremos mapear o perfil do setor em cada região para identificar desafios e fortalecer os sindicatos, além de investir na formação política da categoria”, afirmou.

Plano de ação
Na avaliação de Kelly, o fortalecimento da indústria depende de uma política pública capaz de estimular a produção nacional, ampliar investimentos e gerar empregos qualificados.

“Não basta criar empregos. É preciso transformar a base produtiva do país. Defendemos uma nova política industrial, com atualização do Processo Produtivo Básico, maior conteúdo nacional, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além da geração de empregos como contrapartida aos incentivos fiscais”, disse.

Ela também defendeu incentivos à produção de componentes no Brasil, ampliação das compras governamentais de produtos nacionais, melhoria da infraestrutura logística e acesso ao crédito para pequenas empresas inovarem. Ao final do encontro, a expectativa da CNM/CUT é transformar as discussões em ações concretas nos locais de trabalho.

“Saímos deste encontro com um plano de ação, e não apenas com debates. Vamos construir uma agenda para atualizar o Processo Produtivo Básico, fortalecer a luta pelo fim da escala 6x1 no setor eletroeletrônico e buscar uma mesa permanente de negociação com o governo e com as empresas para discutir qualificação profissional, fortalecimento da indústria nacional e proteção ao emprego diante da automação”, explicou.

Por fim, Kelly esclareceu que para a CNM/CUT, o desafio é fazer com que o Brasil deixe de ser apenas um montador de equipamentos e passe a produzir tecnologia, agregando conhecimento, ampliando a competitividade da indústria e garantindo trabalho qualificado, com direitos e melhores condições para a categoria metalúrgica.