Erechim mobiliza categoria por redução da jornada e defende inclusão de venezuelanos
Atividade da CNM/CUT nas portas de fábrica reforça fim da escala 6x1, pressão sobre o Congresso e organização sindical diante do crescimento da imigração no setor
Publicado: 13 Fevereiro, 2026 - 10h30
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A mobilização realizada na manhã da última quarta-feira (11), nas portas de fábricas de Erechim (RS), colocou no centro do debate duas pautas estratégicas para a classe trabalhadora: a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e a integração sindical, social e profissional das trabalhadoras e dos trabalhadores venezuelanos que hoje fazem parte da base metalúrgica da região. A atividade contou com a presença do presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Loricardo Oliveira, e reuniu a categoria em diálogo direto com o sindicato.
A presidenta do Sindicato dos Metalúrgicos de Erechim e Região e trabalhadora da Menno, Sandra Weischaupt, abriu a atividade destacando que 2026 será um ano de intensificação das mobilizações. “Este é o ano em que o sindicato vai bater forte na pauta da redução da jornada. É um tema que está sendo debatido nacionalmente em todas as categorias e precisa chegar com força na base”, afirmou.
Durante a mobilização, Loricardo anunciou que a CNM/CUT vai ampliar a pressão sobre o Congresso Nacional, com agendas em Brasília voltadas à interlocução direta com deputadas, deputados, senadoras e senadores, além de fortalecer a articulação com as centrais sindicais e os movimentos sociais.
“A redução da jornada e o fim da escala 6x1 dialogam diretamente com a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores. Não é apenas uma pauta econômica, é uma luta por saúde, dignidade e qualidade de vida”, destacou.
O dirigente também reforçou que a campanha precisa estar dentro das fábricas, com mobilização permanente da base. “É fundamental levar esse debate para a porta de fábrica. A CNM/CUT está em todo o país orientando a categoria a usar a camiseta da redução da jornada e a discutir o tema no local de trabalho. É assim que transformamos pauta em conquista”, completou.
Integração dos trabalhadores venezuelanos entra na agenda sindical
Outro tema de grande destaque foi o crescimento da imigração venezuelana em Erechim. O município vive uma situação de pleno emprego e tem recebido trabalhadoras e trabalhadores atraídos pela indústria local. Hoje, mais de 2,8 mil imigrantes vivem na cidade, muitos deles empregados no setor metalúrgico.
Segundo as lideranças, as empresas têm buscado essa mão de obra e garantido uma estrutura inicial por alguns meses, mas depois as famílias passam a enfrentar dificuldades, principalmente na área de moradia.
“Há casos de famílias vivendo em condições precárias. Não é correto trazer essas pessoas e depois transferir toda a responsabilidade ao poder público. É preciso compromisso social das empresas com quem está produzindo riqueza”, criticou Loricardo.
Diante desse cenário, a CNM/CUT e o sindicato apresentaram ao prefeito uma proposta vinculada ao projeto Integrar Rio Grande do Sul, com foco na formação, na qualificação e na integração humana e social dessas trabalhadoras e trabalhadores, articulando a iniciativa com os programas de educação de jovens e adultos já existentes no município.
“Eles já fazem parte da categoria metalúrgica em Erechim. Precisamos garantir igualdade de salários, direitos e plena participação na vida sindical. A sindicalização dessa parcela da categoria é um desafio que vamos enfrentar com organização e diálogo”, afirmou.
O dirigente também chamou atenção para distorções salariais praticadas por algumas empresas, que pagam remuneração diferenciada aos imigrantes, o que precisa ser combatido para garantir isonomia de direitos.
Isenção do IR é conquista histórica
Durante a atividade, Loricardo destacou ainda a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, em vigor desde janeiro de 2026, como uma vitória concreta da classe trabalhadora. De acordo com estudo do Dieese, a medida beneficia mais de 15 milhões de pessoas e deve injetar R$ 26,2 bilhões na economia.
“Quem voltou de férias já percebeu a diferença no salário. Essa é uma conquista construída na luta. Em 2022 estivemos com o presidente Lula na Volkswagen, quando ele assumiu esse compromisso em assembleia. Agora vemos isso se tornar realidade”, lembrou.
Mobilização permanente na base
As atividades em Erechim integram a agenda nacional da CNM/CUT para levar o debate da redução da jornada para dentro dos locais de trabalho, fortalecer a organização sindical e ampliar a pressão sobre o Parlamento.
Como reforçaram as lideranças, o momento exige unidade, participação ativa da base e capacidade de organização para transformar reivindicações históricas em conquistas concretas para a classe trabalhadora.
