Formação sindical debate novos caminhos do trabalho e desafios políticos para 2026
Oficina nacional da CUT reúne lideranças em Florianópolis para discutir conjuntura, organização da classe trabalhadora e fortalecimento da formação sindical
Publicado: 17 Março, 2026 - 17h25
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
Dirigentes e militantes sindicais de todo o país participaram, na última quarta-feira (11), em Florianópolis (SC), da 2ª Oficina Nacional de Planejamento do Projeto Formação de Formadores e Formadoras Sindicais, promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em parceria com a DGB Bildungswerk. O encontro reuniu representantes de diversas categorias para debater estratégias de formação política, os desafios da conjuntura nacional e internacional, e os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a organização da classe trabalhadora.
A abertura da atividade ocorreu na Escola Sindical Sul e contou com uma mística que utilizou a metáfora da pesca para simbolizar a construção coletiva da formação sindical. Cada participante escreveu em um cartão seu nome, localidade e uma palavra que representasse o significado da formação. Os cartões foram colocados em uma grande rede, representando a união necessária para enfrentar os desafios da luta sindical e fortalecer a organização das trabalhadoras e trabalhadores.
Entre as lideranças presentes esteve Maria do Amparo, secretária de Formação da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT). A dirigente acompanhou os debates e ressaltou a importância da atividade para fortalecer a formação política no movimento sindical e ampliar a capacidade de análise das transformações que atingem diretamente a classe trabalhadora e o setor industrial.
“A formação sindical é fundamental para compreender as mudanças no mundo do trabalho e fortalecer a organização das trabalhadoras e trabalhadores. Para a categoria metalúrgica, participar de espaços como este é essencial para preparar nossas lideranças e enfrentar os desafios que estão colocados para a indústria e para a classe trabalhadora”, afirmou.
Maria do Amparo também destacou que a participação da CNM/CUT nas atividades de formação da Central contribui para fortalecer o diálogo entre as diferentes categorias e ampliar a capacidade de organização coletiva. Segundo ela, debates como os realizados nesta importante oficina ajudam a construir estratégias comuns para enfrentar a precarização do trabalho e defender direitos em todo o país.
Durante a mesa de abertura, dirigentes nacionais da CUT destacaram que a formação sindical é uma ferramenta estratégica para fortalecer a consciência de classe e ampliar a atuação política do movimento sindical. As falas ressaltaram que o processo formativo precisa dialogar com as bases e chegar às diferentes categorias profissionais, contribuindo para fortalecer a organização coletiva diante de um cenário político marcado por disputas e desafios para os direitos da classe trabalhadora.
Desafios políticos
O encontro também destacou os desafios políticos do próximo período, especialmente diante das disputas eleitorais previstas para 2026. Dirigentes reforçaram que o movimento sindical precisa ampliar sua capacidade de mobilização e fortalecer a presença de representantes comprometidos com os direitos das trabalhadoras e trabalhadores nos espaços institucionais, como o Congresso Nacional e as assembleias legislativas estaduais.
Outro tema abordado foi a importância de ampliar a participação da juventude nos processos de formação e organização sindical. Lideranças destacaram que muitos jovens estão conectados às redes digitais, mas ainda participam pouco dos espaços de formação política. O desafio, segundo os participantes, é aproximar essa geração das lutas coletivas e estimular a construção de novas lideranças no movimento sindical.
O papel do Brasil no mundo
A programação também contou com análises sobre o cenário geopolítico e político internacional. Especialistas convidados apontaram que o Brasil ocupa posição estratégica no equilíbrio global e alertaram para os impactos de conflitos internacionais e do avanço de governos de extrema direita em diferentes países. Esse contexto, segundo os debatedores, influencia diretamente as disputas políticas e sociais no Brasil.
Na parte da tarde, a oficina debateu os chamados novos caminhos do trabalho. A atividade abordou temas como informalidade, pejotização e os desafios de organização da classe trabalhadora em um contexto marcado pela expansão do trabalho precário e pelo crescimento das plataformas digitais, que vêm alterando profundamente as relações de trabalho e as formas de representação sindical.
Durante a mesa sobre o papel da formação na estratégia da CUT, dirigentes ressaltaram que a disputa política atual também ocorre no campo simbólico, envolvendo valores, ideias e visões de mundo. Nesse cenário, a formação sindical ganha papel ainda mais relevante como instrumento para fortalecer a consciência crítica da classe trabalhadora e disputar corações e mentes na sociedade.
A importância da educação
O professor Fausto Augusto Júnior destacou que a educação sempre foi um campo central de disputa entre diferentes projetos de sociedade. Segundo ele, desde o início da industrialização, a formação profissional tem sido utilizada tanto para organizar o trabalho quanto para redefinir relações de poder entre trabalhadores e empregadores, o que reforça a importância de compreender a formação como espaço estratégico de disputa política.
A atividade também reuniu relatos de experiências de organização entre trabalhadores informais, camelôs, trabalhadores em domicílio e motoristas por aplicativo. Os participantes destacaram que a precarização e a informalidade têm impulsionado novas formas de organização coletiva, evidenciando a necessidade de o movimento sindical dialogar com diferentes realidades do mundo do trabalho.
*Com informações da CUT Brasil
