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GE estuda venda de negócio de eletrodomésticos

Publicado: 16 Maio, 2008 - 00h00

Escrito por: CNM CUT

A General Electric confirmou hoje (16) que está avaliando o futuro de seu negócio de eletrodomésticos, incluindo entre as opções a venda da unidade.

Na quarta-feira, o jornal "Wall Street Journal" informou que o conglomerado americano havia contratado o Goldman Sachs Group para realizar um leilão da unidade, que poderia render entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões. Hoje, a GE disse que, além da venda, vai estudar um possível desmembramento, uma parceria estratégica ou uma joint venture (associação).

Segundo o executivo, como as operações de eletrodomésticos são um negócio principalmente americano, seu desempenho fica suscetível às oscilações de um único mercado. As vendas de eletrodomésticos vêm sendo afetadas pela desaceleração da economia nos EUA e pela crise imobiliária, e se desfazer do negócio pode ajudar a GE a atingir sua meta de longo prazo de aumentar os lucros em pelo menos 10% ao ano.

Apesar de ser um dos negócios mais famosos da empresa, os eletrodomésticos representam apenas uma pequena fatia da receita anual de US$ 173 bilhões da GE. Desde 2003, a companhia levantou US$ 52 bilhões ao se desfazer de ativos mais voláteis, usando o dinheiro para investir em negócios com maiores margens, recompra de ações e outras atividades de reestruturação.

Saída da GE pode abrir espaço para marcas "emergentes" de linha branca

A saída da General Electric (GE) do mercado de eletrodomésticos deve ter grande impacto nos Estados Unidos, onde se espera que o setor concentre-se ainda mais nas mãos dos grandes fabricantes mundiais. Fazem parte deste time não só Whirlpool (EUA) e Electrolux (Suécia), mas também os asiáticos Haier Group (China), LG e Samsung (Coréia). No Brasil e em toda a América Latina, os negócios de linha branca da GE já estão sob o comando do grupo Mabe, maior fabricante do setor no México. 

Em 1987, sob a gestão de Jack Welch, a GE comprou 48% do capital da Mabe, o que permitiu à empresa mexicana, que é comandada e controlada pelo empresário Luis Berrondo, expandir-se de forma acelerada pela América Latina. Não há ainda informações de como ficará a joint venture mexicana após a venda da divisão de linha branca da GE nos EUA. Segundo a Bloomberg, uma forte candidata à compra é a Haier. O grupo chinês tentou adquirir a Maytag nos EUA em 2007, mas perdeu o negócio para a Whirlpool, que agora também deve disputar a GE. 

Após aliar-se à GE, no fim do anos 80, a Mabe comprou operações na Colômbia, Venezuela, Equador e Argentina, além de fortalecer-se no próprio mercado mexicano. Em 2003, o grupo incorporou a marca brasileira Dako, que já pertencia à GE desde a década de 90, e instalou um parque fabril em Itu (SP). A Mabe também assumiu a antiga fábrica de refrigeradores da empresa brasileira CCE em São Paulo. 

Em entrevista recente ao Valor, o presidente da multinacional mexicana no Brasil, Patricio Mendizábal, anunciou que o grupo irá lançar neste ano a marca Mabe no país e que irá posicioná-la em uma faixa intermediária entre as marcas GE ("premium") e Dako (popular). 

Berrondo detém 52% do capital da Mabe, segundo informações obtidas na internet. O acordo com a GE estende-se até 2012 e renova-se automaticamente por períodos de quatro anos a não ser que uma das partes apresente uma notificação dois anos antes. 

Fonte: Agência Estado e Valor

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