Hyundai paga US$ 10 bi por terreno e trabalhador protesta
Publicado: 24 Setembro, 2014 - 00h00
Escrito por: CNM CUT
Trabalhadores da Hyundai pararam, ontem, em protesto contra a compra, pelo grupo, por US$ 10 bilhões, de um terreno para sua nova sede, somando-se a outros protestos acusando os administradores de ter pago um valor excessivo por um "ativo troféu".
Funcionários nas fábricas da montadora sul-coreana de automóveis, em disputa salarial há meses, estavam decididos a suspender a produção por 24 horas entre ontem e sexta-feira. O sindicato de trabalhadores na Kia Motors, empresa irmã da Hyundai, realizarão greves parciais nesta terça-feira (23) e sexta-feira (26).
Na semana passada, o Hyundai Motor Group, uma organização guarda-chuva que inclui a Hyundai Motor, a Kia Motors e a fabricante de autopeças Hyundai Mobis, anunciou que vai pagar 10,6 trilhões de wons (US$ 10,1 bilhões) à Korea Electric Power por um terreno onde fica a sede da companhia de eletricidade em Seul, avaliado em US$ 3 bilhões. No local deverá ser erguida a nova sede do Hyundai Motor Group.
"O negócio imobiliário mostrou que a empresa tem muito dinheiro", disse Hwang Ki-tae, um porta-voz do sindicato de trabalhadores na Hyundai. "O que a empresa tem dito sobre limitações de caixa é uma grande mentira".
As greves são as mais recentes em uma série que afetou as fábricas sul-coreanas das montadoras nos últimos anos e vêm na esteira de uma greve parcial semelhante no mês passado. As greves por melhores salários na Hyundai e na Kia tornaram-se uma tradição quase anual, apesar de os salários estarem entre os maiores no setor.
A greve no ano passado custou à Hyundai 1 trilhão de wons em perdas de produção, embora ela tenha recuperado a maior parte desse montante com sua produção extra posterior, no mesmo ano.
As negociações neste ano haviam chegado perto do acordo. Mas os entendimentos empacaram após a companhia ter se recusado a incorporar prêmios regulares aos salários normais, em sintonia com decisão judicial no ano passado; isso implicaria pensões mais elevadas e pagamento de horas extras. As empresas dizem que isso não é necessário, uma vez que as gratificações não são obrigatórias.
Kim Jong-seok, presidente do sindicato dos trabalhadores na Kia, cobrou a demissão de Chung Mong-koo, presidente da Hyundai, defendendo mudança no sentido da instalação de uma "gestão profissional, como acontece em outras montadoras avançadas".
Os protestos dos sindicatos contra somam-se aos questionamentos dos investidores. As quedas das ações da Hyundai, Kia e Mobis implicam uma perda de valor de mercado somada de 8,4 trilhões de wons após o negócio ter sido anunciado na quinta-feira.
A Hyundai disse que o preço é correto e coerente com a estratégia de longo prazo. A mídia sul-coreana citou Chung como tendo dito a executivos que dinheiro "não é problema" e que ele sentiu-se confortável com o preço elevado, porque os recursos iriam para uma estatal e, portanto, "contribuiriam para a nação".
(Fonte: Valor Econômico)
