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Lesões por Esforço Repetitivo somam mais de 133 mil casos no país e bilhões no mundo

Para o secretário de Saúde do Trabalhador da CNM/CUT, o sindicato junto com os trabalhadores, tem papel fundamental: “a mobilização coletiva é determinante para transformar a realidade nas fábricas”

Publicado: 27 Fevereiro, 2026 - 22h08 | Última modificação: 27 Fevereiro, 2026 - 22h20

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
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28 de fevereiro, Dia Mundial de Combate ao LER/DORT

O Dia Mundial de Combate ao LER/DORT (Lesões por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), lembrado em 28 de fevereiro, destaca uma realidade que se agrava nos ambientes de trabalho. No Brasil, dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, apontam 133.423 casos entre 2007 e 2024, com maior incidência na faixa dos 40 aos 49 anos e predominância entre as mulheres.

Informações da Previdência Social indicam que, apenas em 2023, mais de 20.000 trabalhadores foram afastados por LER/DORT, cerca de 30% das doenças ocupacionais reconhecidas no período. Entre 2011 e 2021, foram concedidos mais de 630000 benefícios acidentários ligados a doenças musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho, evidenciando o impacto direto sobre renda e qualidade de vida.

No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde estima que os transtornos musculoesqueléticos estão entre as principais causas de incapacidade no planeta, afetando cerca de 1,7 bilhão de pessoas. Parte expressiva dos casos tem relação com trabalho repetitivo, posturas inadequadas e jornadas prolongadas, gerando perdas econômicas significativas para a classe trabalhadora.

Para o médico e presidente da Fundacentro, Pedro Tourinho, o avanço dos casos está diretamente ligado à forma como o trabalho vem sendo organizado. “A LER/Dort cresce no Brasil e no mundo todos os anos porque uma das marcas da organização contemporânea do trabalho é a sua intensificação. A tecnologia não reduziu o fardo: aumentou produção, desgaste, reduziu pausas e ampliou atividades repetitivas”, afirmou.

O secretário de Saúde do Trabalhador da CNM/CUT, Francisco Jonaci de Almeida, reforçou que “a informação é ferramenta essencial para prevenir casos e reduzir afastamentos”. Segundo ele, “muitos trabalhadores ainda naturalizam a dor e demoram a buscar atendimento, agravando quadros que poderiam ser evitados com orientação e diagnóstico precoce”.

Segundo Tourinho, o fenômeno anda lado a lado com outro problema crescente. “O aumento da LER/DORT acompanha o adoecimento psíquico relacionado ao trabalho. São dois lados da mesma moeda”, destacou. Tourinho alerta que a dor não pode ser naturalizada. “Não é normal sofrer com dores crônicas e prejuízos funcionais por causa do trabalho e achar que isso é parte da rotina. Trabalhar não significa perder a saúde”, disse.

Ele lembra que a legislação responsabiliza empresas pela prevenção e reabilitação. “Trabalhadores e trabalhadoras que sentem dores recorrentes devem exigir ergonomia, pausas adequadas e organização do trabalho que não gere adoecimento”, reforçou.

O presidente da Fundacentro também destacou que o perfil das doenças varia conforme a atividade. “Não é por acaso que há padrões por categoria. Isso mostra que a organização do trabalho é o principal determinante das LER/DORT”, explicou.

Tourinho ainda ressaltou o papel do movimento sindical. “Os sindicatos são fundamentais para conscientizar, identificar setores de risco, enfrentar condições inadequadas e orientar no acesso às políticas públicas e direitos previdenciários. Sindicato forte significa trabalhadores fortalecidos”, concluiu.

Para Jonaci, “a atuação coletiva, por meio da CIPA, das comissões de fábrica e outras formas de representação nos locais de trabalho são determinantes para transformar a realidade nas empresas”. Ele lembrou que “a organização nos locais de trabalho é o caminho para garantir ergonomia, pausas e respeito aos limites humanos”. “Informação e luta caminham juntas para assegurar dignidade e saúde nas empresas do setor”, concluiu.