Manaus: Gradiente demite pessoal, mas negocia apoio do BNDES
Publicado: 12 Fevereiro, 2008 - 08h00
Escrito por: CNM CUT
Empresa planeja demitir 200 na fábrica de Manaus
Mergulhada em uma dívida de R$ 284 milhões, a Gradiente, tradicional marca de produtos eletroeletrônicos, está recorrendo ao apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com fontes que acompanham as conversas, uma das hipóteses de socorro à empresa seria o BNDES financiar um novo investidor na companhia.
Dentre os possíveis investidores, especula-se que estaria um fundo de pensão estatal. O presidente da Gradiente, Eugênio Staub, foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto em janeiro. Staub, que andou bastante abatido no início da crise da companhia, em meados do ano passado, estaria mais animado e confiante em uma solução para seu grupo. Procurada, a assessoria de imprensa da Gradiente afirmou que a empresa não comenta boatos ou especulações.
O BNDES não quis comentar sobre uma eventual ajuda à companhia. Segundo fontes, não deve haver nenhum empréstimo direto, que seria, no caso, tecnicamente impossível.
Em fevereiro de 2005, na gestão de Carlos Lessa, a instituição emprestou R$ 100 milhões para reforçar o fluxo de caixa da Gradiente, por meio do Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (Progeren), criado no ano anterior.
De acordo com as fontes próximas às negociações, a Gradiente estaria em dia com o pagamento desse financiamento, que deve ser quitado até 2011. Na época em que recebeu o empréstimo do BNDES, a empresa chegou a informar que esperava um aumento de 30,9% em suas vendas por causa dos recursos financiados pelo banco.
A fabricante também anunciou, logo após receber o financiamento do banco, a contratação de 256 funcionários. Naquela ocasião, caso a companhia atingisse as metas de crescimento, o custo do financiamento cairia de 9% para 3,5% ao ano mais a TJLP (de 9,75%, em fevereiro de 2005).
A realidade na empresa hoje é totalmente oposta. Desde agosto não há atividade produtiva na fábrica da Gradiente na Zona Franca de Manaus, que emprega 550 funcionários. E, nas lojas, praticamente não se vê mais produtos com a logomarca da companhia. 'Os trabalhadores do chão de fábrica estão em casa desde agosto, de licença remunerada', afirma o conselheiro fiscal do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Cosmo da Costa Lima.
Diante desse cenário, a Gradiente negocia a demissão de cerca de 200 funcionários. Mas, como está praticamente sem receita - nos últimos seis meses a empresa fez apenas algumas importações pontuais -, está com dificuldades até mesmo para demitir. Na última quinta-feira, a fabricante propôs aos trabalhadores da fábrica de Manaus um acordo de parcelamento do pagamento das rescisões trabalhistas. 'A empresa queria pagar as rescisões em 10 vezes, mas baixamos para cinco', afirma Lima. A expectativa dos trabalhadores é de que a companhia apresente a lista dos demitidos ainda nesta semana para que o acordo possa ser homologado em seguida.
O prazo estabelecido pela empresa para apresentar a lista, de acordo com o sindicato, é dia 20. 'A empresa quer assinar isso logo para não comprometer o orçamento e poder pagar em dia os que ficam', afirmou Lima.
Segundo o sindicalista, a Gradiente tem pago em dia a licença remunerada dos funcionários. 'Desde agosto, a Gradiente só atrasou uma vez. Foi em dezembro, por uns 10 dias, mas depois pagou. É que os custos aumentaram, pois muita gente tirou férias e tinha mais 13º salário para pagar', explica Lima, que está confiante na retomada das atividades da empresa. 'Vão tentar reerguer a empresa com as pessoas que sobrarem.'
Os cortes fazem parte de um programa de reestruturação que está sendo conduzido por Nelson Bastos, da Íntegra Consultoria. Desde novembro, Bastos tenta uma negociação extra-judicial da dívida de R$ 284 milhões com cerca de 20 credores, dentre bancos e fornecedores.
Fonte: O Estado de S.Paulo
