Metalúrgicas da CNM/CUT participam de conferência internacional do aço no Canadá
Evento reúne mais de 800 trabalhadoras e reforça formação, equidade e protagonismo feminino no movimento sindical
Publicado: 02 Abril, 2026 - 15h23
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) está presente na Conferência Internacional Mulheres do Aço, realizada entre os dias 29 de março e 2 de abril, em Toronto, no Canadá, que reúne mais de 800 trabalhadoras de diversos países. Com o tema “Educação para uma Nova Era”, o encontro promove debates, formações e articulações voltadas ao fortalecimento da organização sindical e à ampliação da presença feminina em espaços de poder.
Representando o Brasil, participam da atividade a secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos, e a secretária de Mulheres, Maria de Jesus. Para as dirigentes, a conferência é um espaço estratégico de formação política e construção de novas lideranças no movimento sindical.
“Esse é um espaço fundamental para fortalecer as mulheres dentro das organizações sindicais. Nada nos é dado, tudo é conquistado com muita luta”, destacou Christiane, ao ressaltar também a importância do reconhecimento das mulheres que abriram caminho nas lutas da classe trabalhadora.
A programação do evento inclui plenárias com lideranças femininas de diversos países e segue com workshops temáticos voltados ao aprofundamento dos debates e à troca de experiências. “Nos primeiros dias tivemos plenárias muito potentes, com mulheres incentivando o empoderamento feminino. Agora seguimos com atividades mais aprofundadas, que ajudam a pensar estratégias concretas para o futuro”, afirmou.
Direitos, desafios e solidariedade global
Durante as atividades, as representantes brasileiras compartilharam avanços conquistados no país e também conheceram realidades mais adversas. Entre os temas que despertaram interesse internacional estão políticas como a licença-maternidade e a Lei Maria da Penha, consideradas referências importantes na proteção dos direitos das mulheres.
“Quando apresentamos nossas conquistas, há um reconhecimento muito grande. Ao mesmo tempo, vemos que em muitos países ainda faltam direitos básicos, como condições adequadas no pós-parto ou estruturas de atendimento às mulheres em situação de violência”, relatou Maria.
Para as dirigentes, essa troca reforça a importância da solidariedade internacional e da articulação entre trabalhadoras para o avanço de direitos em escala global.
Troca internacional e construção coletiva
A diversidade das participantes é um dos principais destaques da conferência. Segundo Maria de Jesus, o encontro reúne mulheres de diferentes realidades, como México, Honduras, Austrália e África do Sul, o que amplia o olhar sobre os desafios e as possibilidades da luta sindical no cenário global.
“Estamos aqui representando o Brasil e dialogando com mulheres de várias partes do mundo. O objetivo comum é construir uma nova geração de lideranças, mais fortalecidas politicamente e preparadas para ocupar espaços de decisão”, afirmou.
A dirigente também destacou que muitas participantes já atuam em cargos de liderança em seus países, o que contribui para o intercâmbio de experiências e estratégias de atuação.
Representatividade e novos marcos
Outro momento simbólico da conferência foi a recepção presidencial para Roxanne Brown, que recentemente se tornou a primeira mulher negra a liderar a presidência do United Steelworkers em mais de 80 anos. O fato foi celebrado pelas participantes como um marco na luta por representatividade no movimento sindical.
A conferência encerrou-se nesta quinta-feira (2) com atividades voltadas à formação, à solidariedade internacional e ao fortalecimento das redes de apoio entre trabalhadoras. A expectativa é que as participantes retornem aos seus países com novas estratégias para ampliar direitos e consolidar a presença das mulheres nos espaços de poder.
“A participação da CNM/CUT reforça o compromisso da entidade com a promoção da igualdade de gênero, a formação política e o fortalecimento da organização das trabalhadoras no Brasil e no mundo”, finalizou Chris.
