Metalúrgicos de diversos estados ocupam as ruas do Brasil neste 1º de Maio
Atos pelo país unem celebração e protesto; fim da escala 6x1 lidera pauta e reforça pressão por direitos e justiça social
Publicado: 03 Maio, 2026 - 13h16
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
As manifestações deste 1º de Maio de 2026 reuniram trabalhadoras e trabalhadores da categoria metalúrgica em diversas cidades do país, combinando celebração popular e protestos políticos. O caráter histórico de mobilização de rua foi preservado, com foco na defesa de direitos e no enfrentamento a retrocessos sociais que impactam diretamente a classe trabalhadora.
A principal reivindicação foi o fim da escala 6x1, com defesa da redução da jornada sem redução salarial. Também ganharam força pautas como valorização do salário mínimo, regulamentação do trabalho por aplicativos e combate ao feminicídio, refletindo demandas urgentes no atual cenário do mundo do trabalho.
Em São Paulo, as atividades ocorreram em diferentes pontos. Na Praça Roosevelt, milhares participaram do ato de setores da esquerda. No Rio de Janeiro, as centrais organizaram um ato unificado com atividades culturais. Em Brasília, manifestantes ocuparam o Eixão Sul em defesa da pauta trabalhista.
Já no ABC Paulista, o Paço Municipal de São Bernardo do Campo concentrou uma das principais celebrações, que foi organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e demais entidades cutistas da região com shows e forte presença popular que atraíram mais de 75 mil pessoas das sete cidades.
Força dos metalúrgicos
A presença de trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos reforçou o papel histórico da categoria na luta por direitos. A mobilização ampliou a pressão por avanços como valorização salarial, regulamentação de benefícios e combate à precarização nas relações de trabalho.
“O 1º de Maio é um momento de reafirmação da nossa luta coletiva, de unidade entre trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos de todo o país. É nas ruas que mostramos nossa força para defender direitos, avançar em conquistas e garantir que nenhum retrocesso seja imposto à classe trabalhadora”, afirmou Loricardo de Oliveira, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT).
A organização sindical foi destacada como instrumento central para enfrentar os desafios atuais. A presença nas ruas fortalece a capacidade de negociação e resistência, além de ampliar o debate público sobre direitos e condições dignas de trabalho.
“O 1º de Maio é um dia de luta, mas também de reafirmação do papel do movimento sindical na defesa dos direitos da classe trabalhadora. A participação ativa de trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos fortalece nossa capacidade de negociação e resistência”, afirmou Mário Henrique, secretário de Política Sindical da CNM/CUT.
Pautas sociais em destaque
A mobilização também evidenciou a centralidade de pautas sociais, como igualdade de gênero, combate à discriminação e acesso à saúde. A articulação dessas demandas com a luta sindical amplia o alcance das reivindicações e fortalece a construção de um modelo de desenvolvimento mais justo.
“A data de hoje é essencial para dar visibilidade às pautas sociais que impactam diretamente a nossa vida. A luta por igualdade, respeito e melhores condições de vida precisa estar no centro das mobilizações, e a participação dos metalúrgicos é fundamental para avançarmos na construção de uma sociedade mais justa”, afirmou Kelly Galhardo, secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT.
O enfrentamento ao racismo estrutural também esteve presente nas mobilizações. A participação da categoria contribuiu para dar visibilidade às desigualdades raciais e reforçar a necessidade de políticas de inclusão e equidade no ambiente de trabalho.
“O 1º de Maio é um dia de luta que também precisa denunciar as desigualdades raciais enfrentadas pelo povo negro. A participação das metalúrgicas e metalúrgicos nas mobilizações é fundamental para fortalecer o combate ao racismo e avançar na construção de um ambiente de trabalho mais justo, com igualdade de oportunidades e respeito à diversidade”, afirmou Christiane Aparecida dos Santos, secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT.
