Mobilização metalúrgica garante ganho real e avanços nas campanhas salariais de 2026
Levantamento do DIEESE e relatos de dirigentes mostram que negociações do primeiro semestre asseguraram reajustes acima da inflação e fortaleceram a organização sindical
Publicado: 31 Julho, 2026 - 12h05 | Última modificação: 02 Agosto, 2026 - 02h15
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
As campanhas salariais dos metalúrgicos no primeiro semestre de 2026 tiveram como marca principal a conquista de reajustes acima da inflação, preservando o poder de compra e garantindo ganho real para milhares de trabalhadoras e trabalhadores. O cenário acompanha o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que aponta que a maior parte das negociações coletivas fechadas no período superou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em diferentes regiões do país, a mobilização nas fábricas e a organização sindical foram decisivas para assegurar avanços econômicos e sociais.
Embora cada negociação tenha ocorrido em contextos distintos, dirigentes de todo país ouvidos pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) destacam que a unidade dos trabalhadores foi determinante para enfrentar a resistência patronal. Além dos reajustes salariais, diversas campanhas conquistaram melhorias em cláusulas sociais, valorização dos pisos da categoria e fortalecimento das convenções coletivas.
Para o presidente da entidade, Loricardo de Oliveira, apesar das diferenças econômicas e regionais, as campanhas salariais do primeiro semestre revelam um elemento comum. “A capacidade de organização dos trabalhadores para enfrentar cenários adversos e conquistar resultados acima da inflação tem se mostrado forte entre as metalúrgicas e os metalúrgicos. Em muitas bases, além dos ganhos econômicos, as negociações ampliaram direitos relacionados à igualdade, ao combate à violência e à valorização das convenções coletivas”, enalteceu Loricardo.
Para o dirigente, a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial, pela valorização dos pisos da categoria e pelo fortalecimento da negociação coletiva permanece no centro da agenda do movimento sindical metalúrgico da CUT. “Seguiremos mobilizados nas campanhas previstas em todo Brasil para o segundo semestre”, ressaltou.
Panorama nacional
No primeiro semestre de 2026, as campanhas salariais dos metalúrgicos apresentaram resultados positivos em diferentes regiões do país. Os acordos concluídos garantiram, em sua maioria, reajustes acima da inflação, valorização dos pisos salariais, manutenção de direitos e avanços em cláusulas sociais. Também foram conquistados benefícios como abonos, reajustes no vale-alimentação, auxílio-creche e medidas de combate ao assédio, à violência contra as mulheres e ao feminicídio.
O balanço mostra, ainda, que a mobilização nas fábricas e a atuação conjunta dos sindicatos foram fundamentais para superar a resistência patronal e assegurar ganho real. Como as categorias possuem diferentes datas-bases, parte das negociações continuará no segundo semestre. Entre os principais desafios estão a preservação do poder de compra, a valorização dos pisos, a redução da jornada sem redução salarial e o fortalecimento das convenções coletivas.
Confira os principais resultados das campanhas salariais nos estados:
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos (FTMRS) conduziu uma campanha unificada envolvendo mais de 17 sindicatos. As negociações garantiram reajuste total de 5,20% para a metalurgia, 5,28% para a reparação de veículos e reposição integral do INPC, além de abono de R$600 para os trabalhadores das máquinas agrícolas, segmento que enfrenta um período de retração econômica.
Segundo o presidente da FTMRS, Lírio Segala, o resultado foi fruto da mobilização da categoria diante da resistência do setor empresarial. “Havia a sinalização de que a indústria concederia apenas o INPC. Só conseguimos avançar além da reposição da inflação graças ao grande processo de mobilização dos trabalhadores”, afirmou.
Em Canoas e Nova Santa Rita, onde a negociação ocorreu separadamente da Federação, os metalúrgicos conquistaram reajuste de 5,25%, retroativo à data-base de maio, além da valorização do piso salarial, ampliação da base de cálculo do quinquênio, inclusão do auxílio-creche e novas cláusulas voltadas ao combate ao assédio moral, ao assédio sexual e ao feminicídio.
“Conquistamos aumento real, retroativo, valorização do piso salarial e novas cláusulas na Convenção Coletiva. Foi uma campanha de manutenção e conquista de direitos, o que reforça a importância da mobilização dos metalúrgicos”, destacou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita (STIMMMEC), Paulo Chitolina.
Santa Catarina
Em Santa Catarina, os acordos firmados no primeiro semestre também confirmaram a tendência de ganho real. Levantamento da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos de Santa Catarina (FETIMESC) mostra reajustes variando entre 4,9% e 5,5% em diversas bases sindicais, como Araquari, São Francisco do Sul, Concórdia, Jaraguá do Sul, Joinville, Blumenau e Xanxerê, todos acima do INPC de 4,11%.
Algumas negociações permanecem em andamento por conta das diferentes datas-base das categorias. Em Criciúma, por exemplo, duas das cinco convenções coletivas foram concluídas no primeiro semestre, enquanto as demais seguem em negociação. O mesmo ocorre em outras bases com campanhas previstas para o segundo semestre.
Rio de Janeiro
Na base de Niterói e Itaboraí, os metalúrgicos conquistaram reajuste salarial de 4,5% e aumento de 5% no vale-alimentação. O principal desafio da negociação foi assegurar ganho real em meio às dificuldades enfrentadas pelo setor naval, um dos segmentos mais importantes da economia regional.
“O desafio foi conquistar ganho real em meio às dificuldades do setor naval. Com estratégia e a união dos trabalhadores, conseguimos avançar”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí (STIMMMENI), Cláudio Bitencourt.
Para o dirigente, o resultado fortalece as próximas lutas da categoria. “Esse resultado nos fortalece para os próximos desafios e mostra aos patrões e aos políticos que estamos unidos para lutar pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários e pela reativação do setor naval”, ressaltou.
Nordeste
Na Paraíba, os metalúrgicos de Campina Grande (Sindmetal Campina Grande) conquistaram avanços importantes na convenção coletiva. Entre eles está a garantia de que a Sexta-feira da Paixão não poderá ser trabalhada, nem mesmo mediante acordo, além da valorização do piso salarial da categoria.
“O maior desafio foi garantir que o percentual de reajuste incidisse sobre o salário mínimo. Com isso, conseguimos ampliar a diferença entre o piso da categoria e o salário mínimo, valorizando os metalúrgicos”, explicou a secretária-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Campina Grande, Marli Melo.
A dirigente destaca que a organização coletiva continua sendo essencial para preservar direitos. “Somos uma categoria importante e ainda temos a Convenção Coletiva de Trabalho para assegurar nossos direitos. Por isso, precisamos nos fortalecer coletivamente”, falou.
O presidente da Federação dos Metalúrgicos do Nordeste (FIMETAL/NE), Josenildo Trindade, explica que apenas as bases do Ceará e de Campina Grande haviam concluído as negociações até o fechamento desta matéria. Nas demais, as campanhas seguem em andamento por conta das diferentes datas-bases.
Para Josenildo, um dos principais desafios permanece sendo garantir ganho real e preservar a valorização dos pisos salariais. “Nosso desafio é garantir ganho real e acompanhar a valorização do salário mínimo. Se isso não acontecer, daqui a alguns anos o piso da categoria pode ser engolido pelo salário mínimo, desvalorizando o trabalho do metalúrgico”, afirma.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, Heraldo Silva, secretário de Comunicação da CNM/CUT e dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem (Sindimetal BH/Contagem), explica que a principal campanha salarial dos metalúrgicos ainda será negociada, já que a data-base da categoria é 1º de outubro. No primeiro semestre, a negociação concluída foi a da reparação de veículos, que garantiu reajuste de 3,36%, correspondente ao INPC, aumento de 4,28% no salário de ingresso, abono de R$400, manutenção das cláusulas existentes e inclusão de uma cláusula de combate ao feminicídio.
