Mobilização no dia 20 pressiona pelo fim da escala 6x1 e redução da jornada
Entidades sindicais e movimentos populares convocam ato nacional para defender jornada menor sem redução de salários e ampliar a pressão sobre o Congresso
Publicado: 17 Março, 2026 - 11h42
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
Trabalhadoras e trabalhadores de todo o Brasil se preparam para um novo momento de mobilização nacional pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários na próxima sexta-feira (20). A iniciativa reúne entidades sindicais e movimentos populares, entre elas a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), e pretende pressionar o Congresso Nacional a avançar em uma pauta histórica para a classe trabalhadora.
Segundo as entidades organizadoras, a mobilização busca fortalecer o debate público sobre a necessidade de atualizar a legislação trabalhista diante das transformações tecnológicas e das mudanças no mundo do trabalho.
Para o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, a mobilização do dia 20 é fundamental para garantir avanços concretos para a classe trabalhadora.
“A redução da jornada sem redução de salário e o fim da escala 6x1 são temas que dizem respeito à saúde, à qualidade de vida e ao direito das pessoas de terem tempo para viver. Nada disso vai acontecer sem mobilização social. É a pressão da classe trabalhadora que faz o Congresso se mexer”, afirmou.
Para a secretária de Mulheres da CNM/CUT, Maria de Jesus, a redução da jornada é ainda mais urgente para as trabalhadoras, que acumulam responsabilidades dentro e fora do trabalho.
“Para as mulheres, a redução da jornada significa qualidade de vida e justiça. Além do trabalho na fábrica ou no escritório, somos nós que, na maioria das vezes, assumimos a terceira jornada, que é o cuidado com a casa, com os filhos, com os idosos e com a família. Trabalhamos mais horas que os homens e com menos reconhecimento. Reduzir a jornada sem reduzir salário é uma medida que ajuda a diminuir essa desigualdade e melhora a vida das trabalhadoras”, disse.
As entidades que já estão se mobilizando para o ato do dia 20, além da CNM, são a CUT, CONTAC, FETQUIM, CNTRV, CONTICOM, SINERGIA, o VAT e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.
Escala 6x1 afeta saúde e qualidade de vida
A escala 6x1, na qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho e tem apenas um dia de descanso, é apontada por especialistas e movimentos sociais como um modelo que provoca cansaço extremo, estresse e adoecimento.
Além dos impactos físicos, o modelo reduz o tempo de convivência familiar, lazer, estudo e participação social, afetando diretamente a qualidade de vida.
Pesquisas reforçam a demanda apresentada pelas organizações. Levantamento do Datafolha aponta que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, indicando amplo respaldo social para a proposta.
Redução da jornada pode gerar empregos
Estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), da Unicamp, aponta que a redução da jornada poderia gerar até 4,5 milhões de empregos no Brasil, resultado da necessidade de reorganização das jornadas e da ampliação da contratação para manter os níveis de produção.
Dados sobre a realidade atual do trabalho também ajudam a explicar a mobilização. Cerca de 21 milhões de trabalhadores atuam mais de 44 horas por semana, enquanto apenas em 2024 foram registrados aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho, muitas delas associadas ao excesso de jornada e ao estresse ocupacional.
Benefícios sociais e econômicos
Para as entidades organizadoras, reduzir a jornada representa um avanço social e econômico. Experiências realizadas em diversos países mostram que jornadas menores podem aumentar o foco, a produtividade e a qualidade do trabalho realizado.
A mudança também contribui para reduzir acidentes e doenças ocupacionais, já que diminui a exposição a jornadas exaustivas e ambientes de trabalho estressantes.
Além disso, o avanço tecnológico e a automação tornam possível produzir mais sem ampliar o tempo de trabalho. Para os organizadores da campanha, modernizar a organização da jornada é uma forma de adaptar o mercado de trabalho às transformações econômicas e tecnológicas.
Pressão social será decisiva
Estudo do Ipea divulgado em 2026 indica que a redução da jornada teria impacto inferior a 1% no custo das empresas em setores como indústria e comércio, enquanto os ganhos podem incluir geração de empregos, aumento da produtividade e melhora da qualidade de vida.
“Os empresários estão fazendo pressão e lobby no Congresso para impedir qualquer mudança na jornada de trabalho. Eles sabem que essa pauta melhora a vida da classe trabalhadora e, por isso, tentam barrar. É exatamente por isso que a mobilização é tão importante. Quando o povo se organiza e vai para a rua, fica mais difícil ignorar. E os próprios estudos mostram que reduzir a jornada é possível, gera empregos e não quebra as empresas”, afirmou Loricardo.
Diante desse cenário, as entidades defendem ampliar o debate nos locais de trabalho, dialogar com a sociedade e pressionar deputados e senadores pela aprovação de mudanças na legislação.
“A jornada menor sem redução de salários é apresentada como um passo necessário para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora e construir um modelo de desenvolvimento mais equilibrado para o país. A mobilização do dia 20 pretende reforçar essa agenda e ampliar a pressão por mudanças estruturais nas relações de trabalho”, finalizou o presidente da CNM/CUT.
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