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Plascar tem plano de crescimento para faturar US$ 1 bi em dois anos

Publicado: 11 Setembro, 2006 - 08h00

Escrito por: CNM CUT

A Plascar, tradicional fabricante de painéis e outras peças de plástico injetado para veículos, tem um ousado plano de expansão para quadruplicar sua receita no prazo de dois anos. A companhia já tem três fábricas em plena ampliação no Brasil, vai inaugurar uma na Argentina dentro de dois meses e está no processo de negociação para aquisição de mais oito empresas.

Independentemente dos planos de crescimento, a ampliação do mercado dos veículos já favorece a Plascar e serve de impulso a um crescimento quase obrigatório. Além disso, o uso do plástico nos carros aumenta a cada dia e o produto cada vez mais substitui outros tipos de materiais. Cerca de 80% do acabamento interior de um automóvel já leva plástico, mais do dobro do que uma década atrás.

Outra evolução que também favorece a empresa é a onda dos pára-choques pintados. Cada vez mais as montadoras utilizam pára-choques na mesma cor da carroceria dos carros. Essa demanda levou a Plascar a investir no desenvolvimento de equipamentos para pintura desse item do automóvel, o que elevou a quantidade de serviços desse fornecedor para a indústria automobilística.

Fundada na década de 60 por uma família que decidiu abrir o capital da empresa em 1986, a Plascar tem a sede em Jundiaí (SP), onde está sua maior fábrica. Mas a necessidade de atender às encomendas da Fiat a levou a instalar uma unidade em Betim (MG), há dez anos. Um ano depois inaugurou a terceira instalação em Varginha (MG) para atender aos contratos de exportação.

Essas fábricas produzem painéis completos, interiores de portas, lanternas e pára-choques para a maior parte das montadoras de carros e também de caminhões instaladas no Brasil. Na linha de exportação, fábricas européias e americanas de gigantes como a Ford recebem itens como difusores de ar e porta-copos.

Agora, as atenções da companhia se voltam para a Argentina, onde a produção de veículos retomou a tendência de crescimento. Em 60 dias, será inaugurada uma fábrica em Pilar, uma posição estratégica, a oito quilômetros da linha de montagem da Toyota.

O impulso nessa expansão começou com um recente aumento de capital na empresa de US$ 60 milhões. A maior parte dos recursos - US$ 50 milhões - foi usada para quitar endividamento com o antigo controlador da Plascar, a Collins & Aikman Europe S.A., com sede em Luxemburgo. Os US$ 10 milhões restantes serviram para erguer a fábrica na Argentina.

O controle acionário da empresa, que já passou por três grupos estrangeiros, está desde abril nas mãos da International Automotive Components Group Brazil, LLC (IAC). Essa empresa adquiriu a totalidade das quotas da Permali do Brasil Indústria e Comércio Ltda., controladora da Plascar Participações Industriais S.A.. A IAC é uma joint venture entre WL Ross & Co. LLC (WLR) e Franklin Mutual Advisers, LLC (FMA). A WL Ross é empresa do bilionário Wilbur Ross, acionista da gigante do aço Mittal Steel.

Com o total de 2.545 empregados, a Plascar está agora em plena fase de negociação para a aquisição de oito empresas. O presidente da companhia, André Nascimento, não revela nenhum detalhe das aquisições. Diz apenas que entre as novas empresas algumas se localizam fora do Brasil, na América Latina.

Com essas compras de ativos na região, o faturamento da Plascar deverá passar de US$ 250 milhões hoje para US$ 1 bilhão num prazo de dois anos, segundo Nascimento. 'São aquisições estratégicas', destaca o executivo.

'A empresa superou as dificuldades financeiras e agora entra numa fase em que desfruta de um crescimento orgânico e também de aquisições', diz Nascimento.

Independentemente de quem assumiu o controle acionário na história da Plascar, o conhecimento e a técnica brasileiros prevaleceram e evoluíram durante todo esse tempo, afirma ele.

Em Minas, apostando no crescimento da demanda na Fiat, a empresa dobrou a capacidade e o número de empregados em Betim. A unidade de Varginha também recebeu investimentos numa linha de pintura automatizada que serve hoje até para encomendas esporádicas da Motorola para a pintura dos aparelhos celulares.

A unidade de Jundiaí, conforme o executivo, também está em pleno processo de expansão. Ao expandir a área ocupada no bairro do Retiro, a área industrial encostará na Via Anhanguera, uma das rodovias mais movimentadas de São Paulo. Dessa forma, na nova fase da Plascar, que seguiu a linha da gestão discreta durante vários anos, também o logotipo da empresa ganhará muito mais visibilidade na estrada.

Fonte: Valor