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Seminário fortalece ação sindical frente aos impactos da reestruturação produtiva

Formação reuniu lideranças do Sul do país e destacou desafios enfrentados por trabalhadoras e trabalhadores diante das mudanças no setor industrial

Publicado: 31 Março, 2026 - 10h20 | Última modificação: 31 Março, 2026 - 10h23

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
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O encontro reuniu cerca de 35 lideranças sindicais da região Sul

A participação de dirigentes sindicais no Seminário Regional de Educação e Organização para a Negociação Coletiva da Reestruturação Produtiva, promovido pela IndustriALL Global Union entre os dias 24 e 26 de março, reforçou a importância da organização coletiva e da formação estratégica para enfrentar as mudanças no mundo do trabalho.

O encontro reuniu cerca de 35 lideranças sindicais da região Sul – de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul –, com atuação direta nas negociações coletivas em suas bases. Ao longo dos três dias, o seminário promoveu uma intensa troca de experiências sobre os desafios enfrentados no cotidiano das fábricas, especialmente diante das transformações produtivas em curso.

O que está em disputa no mundo do trabalho
Tema central do seminário, a reestruturação produtiva refere-se às mudanças implementadas pelas empresas para ampliar produtividade e competitividade. Entre elas estão a automação, a digitalização dos processos, a terceirização e novos modelos de gestão do trabalho.

Essas transformações têm impacto direto sobre a vida dos trabalhadores, alterando condições de trabalho, exigindo novas qualificações e, muitas vezes, resultando na redução de postos de trabalho. Além disso, intensificam a pressão por metas, aumentam a sobrecarga e contribuem para o adoecimento no ambiente laboral.

Diante desse cenário, o seminário teve como foco fortalecer a capacidade de análise, organização e intervenção dos sindicatos, especialmente nas negociações coletivas, ferramenta central para garantir direitos que muitas vezes vão além da legislação.

Formação como ferramenta de defesa dos trabalhadores
Para Rosana Sousa, trabalhadora da BMW e diretora da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), o acesso a conteúdo sobre novas tecnologias e modelos produtivos é essencial para qualificar a atuação sindical.

“A formação se torna uma ferramenta essencial para fortalecer as negociações coletivas, garantindo conquistas que vão além da legislação e precisam estar asseguradas nos acordos”, afirmou.

Ela também destacou o papel do intercâmbio internacional promovido pelo projeto. “A formação contribui diretamente para qualificar a atuação sindical, especialmente nas negociações, ao proporcionar acesso a experiências internacionais e aprofundamento técnico. Isso permite enfrentar temas mais complexos, como automação e novas formas de organização do trabalho, com mais preparo”, completou.

Desafios concretos nas fábricas
Segundo Rosana, os impactos dessas transformações já são sentidos no dia a dia das empresas. “Hoje já vemos redução de postos de trabalho por causa da automação, aumento da especialização, metas abusivas e adoecimento no ambiente de trabalho”, alertou. Ela também apontou dificuldades crescentes para a organização sindical dentro das fábricas, o que exige novas estratégias de atuação.

Fortalecer a base para avançar
Diante desse contexto, o seminário apontou a necessidade de uma resposta mais estruturada do movimento sindical, baseada no fortalecimento da organização no chão de fábrica e na formação contínua dos dirigentes.

“O seminário trouxe como principal aprendizado a importância da organização coletiva como uma formação estratégica para enfrentar os impactos da reestruturação produtiva”, destacou Rosana.

Mais presentes e mais organizados
Entre os encaminhamentos, está a ampliação da presença sindical nos locais de trabalho, com mapeamento das empresas, maior conhecimento sobre o perfil dos trabalhadores e acompanhamento permanente das mudanças no setor.

“Diante de um cenário tão rápido de mudanças, não basta apenas reagir às imposições das empresas. É fundamental antecipar tendências, compreender os processos produtivos e fortalecer a base”, afirmou.

A dirigente reforça que o desafio é atuar de forma ativa nesse processo. “Precisamos estar mais presentes e organizados para enfrentar a reestruturação produtiva e garantir avanços nas negociações coletivas”, concluiu Rosana.