Seminário fortalece sindicatos para negociar os desafios da reestruturação produtiva
Encontro reuniu dirigentes do Sudeste para debater formação sindical, organização e negociação coletiva diante das mudanças na indústria
Publicado: 07 Julho, 2026 - 17h53 | Última modificação: 07 Julho, 2026 - 18h28
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
Entre os dias 30 de junho e 2 de julho, dirigentes sindicais de diferentes categorias participaram do II Seminário Regional Sudeste “Educação e Organização para a Negociação Coletiva da Reestruturação Produtiva”, realizado em Santo André, no ABC Paulista.
A atividade integra o Projeto Fortalecimento Sindical, desenvolvido pela IndustriALL em parceria com a Union to Union (UtoU) e a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), e tem como objetivo preparar lideranças para enfrentar os impactos das transformações tecnológicas e organizacionais sobre o trabalho, e fortalecer a negociação coletiva como instrumento de proteção dos direitos da classe trabalhadora.
Ao longo desses três dias, os participantes debateram os efeitos da reestruturação produtiva na indústria, a incorporação de novas tecnologias, os desafios impostos pela digitalização dos processos e a necessidade de ampliar a presença sindical nos locais de trabalho.
A programação também priorizou a troca de experiências entre dirigentes de diferentes ramos industriais, estimulando a construção de estratégias comuns para ampliar a capacidade de organização das entidades e fortalecer a atuação diante das mudanças em curso no setor produtivo.
Formação como estratégia
O projeto apresentado durante o encontro estabelece um horizonte de atuação para o período de 2026 e 2028, reforçando a importância da formação permanente como base para a construção de sindicatos mais preparados para negociar temas cada vez mais complexos, como automação, inovação tecnológica, reorganização da produção e transição industrial.
Para a secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, iniciativas como o seminário representam um passo importante para fortalecer a atuação sindical em um cenário de profundas transformações. Na avaliação da dirigente, investir na qualificação das lideranças significa ampliar a capacidade de defesa dos trabalhadores e tornar a negociação coletiva mais preparada para responder aos desafios impostos pela nova organização da indústria.
“Estamos vivendo um momento de profundas transformações na indústria e os sindicatos precisam estar preparados para compreender esse cenário e atuar de forma estratégica na defesa dos direitos da classe trabalhadora. Este seminário demonstra que investir na formação é investir também no futuro da representação sindical”, afirmou.
Amparo ressaltou que a integração entre dirigentes amplia a construção de soluções coletivas para problemas que são comuns em todo o setor industrial.
“Quando compartilhamos experiências e construímos propostas coletivamente, ampliamos nossa capacidade de resposta. A negociação coletiva precisa acompanhar essas mudanças para garantir que a inovação e o desenvolvimento industrial caminhem lado a lado com trabalho decente, direitos e valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores”, destacou.
Construção coletiva
Além dos debates e das exposições, o seminário promoveu atividades em grupo voltadas à elaboração de propostas e ao intercâmbio de experiências entre as entidades participantes. A iniciativa buscou consolidar uma agenda comum para fortalecer a organização sindical na Região Sudeste e ampliar a capacidade de negociação diante das mudanças que impactam a indústria brasileira.
“O II Seminário Regional Sudeste reafirmou a importância da formação como elemento estratégico para o fortalecimento da ação sindical e contribuiu para a construção de uma atuação mais integrada entre as entidades, reforçando o compromisso com uma negociação coletiva capaz de responder às transformações do mundo do trabalho”, explicou Amparo.
Organização na base
A experiência dos participantes também reforçou que a formação sindical precisa estar diretamente ligada à realidade vivida nas fábricas. Durante o seminário, dirigentes de diferentes empresas compartilharam experiências sobre negociação coletiva, organização nos locais de trabalho e os desafios impostos pela reestruturação produtiva.
Entre eles estavam Jorge Lima, secretário de Formação da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT de São Paulo, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e integrante da Comissão Sindical de Empresa da Volkswagen; Rosivania de Souza, trabalhadora da Arteb e diretora do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; Regis Sene, trabalhador da Mercedes-Benz e diretor da entidade; Lucicleide Rodrigues, do Sindicato dos Metalúrgicos de Cajamar e trabalhadora da Impacta; e Beatriz Batan, integrante da CSE da Volkswagen Anchieta.
Ampliação dos direitos
Para Jorge, um dos principais resultados do encontro foi a construção de propostas concretas para fortalecer a organização sindical a partir da realidade das categorias representadas. O dirigente destacou que os debates foram além da análise dos impactos da digitalização e da automação, permitindo a elaboração de estratégias capazes de ampliar a capacidade de negociação e a presença dos sindicatos nos locais de trabalho.
“Realizamos um amplo diagnóstico das nossas bases, identificando o perfil dos trabalhadores e trabalhadoras, a participação de mulheres, pessoas com deficiência, jovens, população negra e comunidade LGBTQIAP+, além do índice de sindicalização. Debatemos a realidade das mulheres negras nas empresas e elaboramos planos de ação para fortalecer a organização nos locais de trabalho. Diante da reestruturação produtiva, da digitalização e da automação, investir na formação sindical é fundamental para ampliar nossa capacidade de negociação, defender direitos e enfrentar as desigualdades”, afirmou.
Na avaliação de Beatriz, integrante da CSE da Volkswagen Anchieta, a programação ampliou o debate sobre a reestruturação produtiva ao incorporar temas ligados à diversidade, à inclusão e à igualdade de oportunidades.
Segundo ela, as atividades também estimularam a troca de experiências entre dirigentes e contribuíram para transformar o conhecimento adquirido em ações que poderão ser desenvolvidas nas bases sindicais.
“O segundo seminário sobre reestruturação produtiva foi muito importante porque, além de retomarmos os conceitos que envolvem esse processo, também debatemos a história e os dados da desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro. Tivemos muitos diálogos e trocas de experiências, observando cláusulas de acordos coletivos que incentivam e, muitas vezes, garantem oportunidades para que grupos historicamente menorizados tenham acesso a melhores postos de trabalho”, afirmou.
Por fim, Beatriz falou que também houve um intercâmbio no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. A dirigente explicou que todas e todos os participantes saíram do seminário com um plano de ação e com a missão de colocar em prática tudo o que foi aprendido.
