MENU

Senado avança na PEC 221 e mobilização ganha novo impulso contra a escala 6x1

Centrais sindicais e movimentos populares intensificam a pressão para que o Senado vote a PEC 221 como foi aprovada na Câmara, sem retrocessos

Publicado: 03 Julho, 2026 - 14h04 | Última modificação: 03 Julho, 2026 - 20h13

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
notice
A mobilização da classe trabalhadora conquistou um importante avanço na quarta-feira (1º)

A mobilização da classe trabalhadora conquistou um importante avanço na quarta-feira (1º), em Brasília. Durante audiência com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dirigentes das centrais sindicais receberam o compromisso de que a PEC 221/2019 seguirá o rito legislativo e será levada à votação. A agenda foi acompanhada por uma sessão de debates sobre a proposta, reforçando a pauta da redução da jornada de trabalho sem redução de salários e fim da escala 6x1.

O encontro reuniu dirigentes de diversas centrais sindicais, entre eles o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, e o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Loricardo de Oliveira. Para os dirigentes, o compromisso firmado representa o resultado da mobilização construída nos locais de trabalho, nas ruas e junto ao Congresso Nacional, fortalecendo uma reivindicação histórica da classe trabalhadora.

“A mobilização dos trabalhadores seguirá sendo fundamental para conquistar a redução da jornada sem redução de salários e o fim da escala 6x1. Vamos continuar realizando assembleias nas fábricas, dialogando e organizando a categoria em todo o país. Os senadores têm que votar a PEC 221 como foi aprovada na Câmara dos Deputados, sem retrocessos contra a classe trabalhadora”, afirmou Loricardo.

Pressão permanente
Ao fazer um balanço das atividades em Brasília, Sérgio Nobre destacou que o compromisso assumido pelo presidente do Senado representa um passo importante para a tramitação da proposta. No entanto, o dirigente ressaltou que o avanço institucional, por si só, não garante a aprovação da PEC, tornando indispensável a continuidade da mobilização em todo o país.

“O presidente Davi Alcolumbre assumiu o compromisso de que vai cumprir o rito e colocar o processo em votação. Agora, o importante é manter a mobilização. Essa sinalização do presidente do Senado é muito importante. Agora, sem mobilização e sem pressão, não vamos para lugar nenhum”, afirmou.

Nobre também parabenizou todo o movimento sindical e os movimentos populares pelas fortes manifestações no último dia 30. “Quero aproveitar para parabenizar todo mundo que participou dos atos do dia 30 em todo o Brasil. Eu vi que, em São Paulo, o ato foi muito bom. Não pude estar presente porque estava em Brasília cuidando dessa agenda. A mobilização tem que continuar nas ruas, nas redes sociais e no trabalho institucional, conversando com os senadores”, completou.

Próximos passos
As declarações das lideranças reforçam que a estratégia das centrais sindicais combina articulação política e mobilização popular. Renato Carlos, o Renatinho, secretário-geral da CNM/CUT também esteve na agenda em Brasília e explicou que a orientação é ampliar as assembleias nas fábricas, fortalecer as ações nas bases e manter o diálogo com a sociedade e com os parlamentares.

“O entendimento é de que a pressão organizada das trabalhadoras e dos trabalhadores continuará sendo decisiva para transformar o compromisso firmado no Senado em uma conquista concreta para milhões de brasileiros. E estaremos nessa luta até o final”, explicou.

Mobilização nas bases
Também presente na agenda em Brasília, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta Grossa e dirigente da CNM/CUT, Claudir Messias, destacou que a atuação da Confederação e das centrais sindicais foi decisiva para fortalecer o debate em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. Segundo ele, a CNM/CUT acompanha essa pauta desde o início, com reuniões, articulações e diálogo permanente com parlamentares.

“A CUT reafirmou seu posicionamento pelo fim da escala 6x1 e a CNM também tem sido protagonista nessa luta. Desde o início desse debate, a Confederação realizou diversas reuniões, esteve várias vezes em Brasília e dialogou com parlamentares de todo o país para defender a redução da jornada de trabalho, a adoção da escala 5x2 e a garantia de que tudo isso aconteça sem redução dos salários. Essa sempre foi a nossa bandeira”, afirmou.

Representando os trabalhadores do Paraná e de Santa Catarina, Claudir avaliou que a participação das entidades reforça a voz da classe trabalhadora na defesa de mais qualidade de vida.

“Estar presente reforça a voz da classe trabalhadora, que reivindica mais tempo para descansar, estudar, conviver com a família e ter mais qualidade de vida. Garantir dois dias de descanso por semana é uma medida essencial para milhões de trabalhadores. Agora esperamos que o Senado compreenda a importância dessa pauta e aprove uma reivindicação que vem das ruas. Os parlamentares foram eleitos para representar o povo e precisam votar em favor dos interesses da classe trabalhadora”, concluiu.