Tarifaço de Trump ameaça empregos e indústria nacional, alerta CNM/CUT
Confederação defende reação firme do Brasil às tarifas dos Estados Unidos e diz que trabalhadores da indústria podem ser os mais prejudicados
Publicado: 17 Julho, 2026 - 10h07 | Última modificação: 17 Julho, 2026 - 15h03
Escrito por: Érica Aragão
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida, anunciada pela gestão de Donald Trump e prevista para entrar em vigor em 22 de julho, representa um novo ataque ao setor produtivo nacional e pode comprometer investimentos, empregos e o desenvolvimento da indústria brasileira, na avaliação da entidade.
Entre os produtos atingidos estão máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, maquinário elétrico, bens de capital, ferramentas, produtos químicos e diversos manufaturados, segmentos diretamente ligados à cadeia metalúrgica. A avaliação técnica indica que justamente os setores de maior valor agregado da indústria brasileira estão entre os mais vulneráveis aos impactos da medida.
Para o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, o tarifaço representa uma ofensiva contra a soberania nacional e atende a interesses que buscam enfraquecer o desenvolvimento brasileiro.
“É inaceitável as taxas ilegais que o governo Trump aplica ao Brasil. Está conjuntamente aliado com uma proposta da extrema direita de nós jogarmos a nossa produção para ser submissa, um quintal dos americanos. Nós, metalúrgicos e metalúrgicas do Brasil, defendemos a nossa indústria, o nosso trabalho, a nossa soberania e a democracia”, afirmou.
Segundo Loricardo, a resposta precisa ser construída em defesa da indústria nacional, dos empregos e da capacidade produtiva do país. “Vamos lutar para que essa indústria brasileira não seja penalizada e os trabalhadores e trabalhadoras não sejam os principais atingidos. Estamos construindo a Nova Indústria Brasil, fortalecendo o desenvolvimento do país porque acreditamos na soberania nacional e na capacidade da nossa indústria gerar empregos de qualidade”, disse.
Não é sobre economia
A CNM/CUT ressalta que o argumento econômico utilizado pelos Estados Unidos não se sustenta. No setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, a balança comercial é favorável aos próprios norte-americanos. Em 2025, os Estados Unidos registraram superávit de US$ 1,6 bilhão nas trocas comerciais com o Brasil, exportando mais máquinas para o mercado brasileiro do que importando produtos nacionais. Não há, portanto, desequilíbrio comercial que justifique a adoção das tarifas.
Além do impacto econômico, a Confederação alerta para os riscos políticos envolvidos na medida. A investigação aberta pelo governo norte-americano utiliza argumentos que vão desde o funcionamento do PIX até questões ambientais, propriedade intelectual e regulação das plataformas digitais. Na avaliação do DIEESE e da CUT, a ofensiva ocorre em um contexto de tensão diplomática e pode representar uma tentativa de interferência no cenário político brasileiro.
Loricardo afirma que a defesa da indústria nacional também passa pela valorização de políticas estratégicas desenvolvidas no Brasil. “Também não aceitamos a imposição dessas taxas ilegais produzidas pelos americanos. Vamos defender o nosso PIX, defender o mercado do etanol, a transição energética, a produção nacional e uma indústria forte, que gere trabalho para os brasileiros”, declarou.
O dirigente também criticou setores empresariais que, segundo ele, tentam transferir exclusivamente aos trabalhadores os efeitos da política comercial norte-americana. “Não vamos aceitar a imposição daqueles empresários que querem jogar para o Brasil toda a responsabilidade dessas taxas. São os mesmos que são contra a redução da jornada de trabalho, contra o fim da escala 6x1 e contra a participação dos trabalhadores no desenvolvimento do país”, afirmou.
Resposta das centrais
A posição da CNM/CUT está alinhada à nota conjunta divulgada pelas centrais sindicais brasileiras, que classificam a medida como um ataque à economia nacional e alertam para seus efeitos sobre empregos, investimentos e cadeias produtivas. O documento destaca que ações unilaterais dessa natureza reduzem a competitividade da indústria brasileira, comprometem o desenvolvimento econômico e colocam em risco milhares de postos de trabalho.
Para a CNM/CUT, o enfrentamento ao tarifaço passa pela defesa da soberania nacional, pelo fortalecimento da Nova Indústria Brasil, pela ampliação da produção nacional e pela geração de empregos de qualidade.
“Vamos combater quem quer trair o país e transformar o Brasil em um quintal americano. Somos brasileiros e brasileiras. Vamos defender a nossa indústria, os nossos trabalhadores e construir um Brasil soberano, com desenvolvimento, produção nacional e democracia”, concluiu Loricardo.
Veja, na íntegra, a nota das centrais sindicais.
