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Vale planeja pólo de alumínio e assume controle da Valesul

Publicado: 04 Julho, 2006 - 08h00

Escrito por: CNM CUT

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) vai iniciar negociações com investidores privados para a criação de um pólo de alumínio no Rio de Janeiro. A mineradora pretende dessa forma fidelizar os clientes da sua subsidiária Valesul, cujo capital societário passou a ser integralmente controlado pela Vale desde ontem, após a conclusão da aquisição de 45,5% das ações pertencentes à australiana BHP Billiton. Entre os possíveis investidores estão fabricantes de rodas e outras empresas que usam o alumínio como base para seus produtos.

Hoje, cerca de 70% da produção da Valesul, localizada em Santa Cruz, na zona oeste da capital fluminense, é destinada ao mercado interno, majoritariamente ao Estado de São Paulo. Com a criação do pólo, a mineradora acredita que conseguirá fixar os principais clientes no Rio e, assim, reduzir os custos logísticos. De acordo com o diretor executivo de participações e novos negócios da Vale, Murilo Ferreira, a intenção da mineradora é limitar sua atuação, através da Valesul, como fornecedora de alumínio para as eventuais empresas que se instalem no Rio. 'Não pretendemos ter participação em qualquer empresa que seja atraída para o pólo', disse Ferreira.

Outras duas providências que a nova gestão deverá tomar referem-se ao fornecimento de matéria-prima e à geração própria de energia. A Valesul é uma unidade de redução de alumina (smelter), ou seja, usa alumina para produzir alumínio primário. Atualmente, parte da alumina é fornecida pela própria Vale, que detém 57% de uma refinaria no Pará, a Alunorte, e outra parte é fornecida pela antiga sócia BHP. 'Pretendemos fornecer 100% da matéria-prima a partir de agora', afirmou Ferreira.

A ampliação do fornecimento será viabilizada pelos investimentos em expansão da Alunorte. Este ano, a companhia anunciou a ampliação da produção em 1,9 milhão de tonelada de alumina. Outras ampliações estão previstas até o marco de 6,2 milhões de toneladas por ano, previstas para 2008. A alumina responde por 30% do custo do alumínio.

Quanto à geração de energia, Ferreira informou que a Valesul consome 170MW por ano, dos quais 40% provêm de autogeração. A empresa tem quatro pequenas centrais hidroelétricas próprias e detém participação na usina hidroelétrica de Machadinho, localizada no rio Pelotas (SC). Com o objetivo de reduzir os custos com energia elétrica - que respondem por outros 30% do preço final do alumínio - a Vale já encomendou um estudo a técnicos da empresa para avaliar as melhores opções para minimizar a dependência energética de terceiros.

A Vale comprou as ações da BHP por US$ 27,5 milhões. A australiana já havia anunciado a intenção de vender sua participação e aguardava uma posição da mineradora brasileira, que, como previsto no acordo de acionistas, tinha direito de preferência sobre a compra. A Valesul possui capacidade nominal de 95 mil toneladas anuais de alumínio primário e ligas de alumínio na forma de lingotes e tarugos. A empresa também atua na refusão de sucata de alumínio para clientes, com capacidade nominal de reciclagem de 25 mil toneladas por ano.

No primeiro trimestre de 2006, a receita líquida da Valesul foi de US$ 58 milhões e o Ebitda (lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização) chegou a US$ 8 milhões. Os resultados serão incorporados às demonstrações financeiras da Vale, no critério US GAAP (princípios de contabilidade geralmente aceitos nos Estados Unidos), a partir do terceiro trimestre de 2006. A companhia possui endividamento bruto igual a zero, de acordo com a posição de 31 de março de 2006.

A compra da Valesul está em consonância com a estratégia da Vale de diversificação de seu portfólio, hoje ainda concentrado na produção de minério de ferro. A mineradora reservou US$ 778 milhões, ou 16,8% de seu orçamento de 2006, para o segmento de alumínio. Hoje, a Vale atua em toda a cadeia do metal. Além da Valesul, a Vale tem participação acionária de 51% em outro smelter, a Albras, localizada em Barcarena (PA), com capacidade de produção de 430 mil toneladas por ano. A Albras está investindo US$ 102 milhões, dos quais US$ 15 milhões em 2006, em um projeto para redução de consumo de energia por tonelada de lingotes de alumínio produzida. De acordo com a Vale, o projeto permitirá também o aumento da produção sem a necessidade de expansão da planta.
Na área de extração de bauxita - matéria-prima para produção de alumina - a Vale detém 40% da Mineração Rio do Norte, com capacidade nominal de produção de 16,3 milhões de toneladas de bauxita por ano, e se prepara para iniciar a produção da mina de Paragominas (PA), em 2007, com capacidade inicial de 5,4 milhões de toneladas de bauxita por ano.

Fonte: Diário do Comércio