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CNM/CUT fortalece luta antirracista em seminário nacional realizado em Pernambuco

Secretária da Igualdade Racial, Christiane Aparecida destaca acordo com o MIR e defende ampliar o letramento racial em todo o movimento sindical

Publicado: 04 Julho, 2026 - 12h35

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
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Chris apresentou ações desenvolvidas e defendeu o fortalecimento das políticas de enfrentamento

A promoção da igualdade racial no mundo do trabalho ganhou mais um importante capítulo nesta quinta-feira (3), durante o 1º Seminário Nacional de Letramento Racial, promovido pelo Sindmetal-PE, em Recife.

Representando a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), a secretária da Igualdade Racial, Christiane Aparecida, apresentou as ações desenvolvidas pela entidade e defendeu o fortalecimento das políticas de enfrentamento ao racismo por meio da organização sindical.

O encontro reuniu dirigentes sindicais, pesquisadores e representantes de diversas categorias para discutir caminhos que ampliem a igualdade de direitos e oportunidades nos locais de trabalho.

A programação também contou com palestras da doutora em Educação, Carmem Dolores, que abordou a transversalidade das políticas de igualdade, e de Marcos Pereira, conhecido como Steve Biko, que tratou do letramento racial como instrumento de enfrentamento ao racismo nas relações de trabalho.

Na avaliação de Chris, o maior desafio continua sendo fazer com que empresas, trabalhadores e o próprio movimento sindical reconheçam que o racismo não se manifesta apenas em atitudes individuais, mas faz parte da estrutura da sociedade brasileira e se reflete diretamente nas relações de trabalho.

“Um dos grandes desafios é fazer com que as empresas reconheçam que o racismo é estrutural. Muitas práticas acabam sendo naturalizadas e, por isso, nem sempre são identificadas como racismo. Basta observar que ainda é raro encontrar pessoas negras ocupando cargos de chefia e liderança”, analisou.

A dirigente ainda destacou que a população negra é maioria no Brasil, mas continua sub representada nos espaços de decisão, seja nas empresas ou no próprio movimento sindical. “Precisamos romper essa lógica e enfrentar o racismo onde ele realmente está, em toda a estrutura da sociedade”, declarou.

Para Chris, iniciativas como a realizada em Pernambuco demonstram que o letramento racial tem potencial para fortalecer a organização dos trabalhadores e ampliar o compromisso das entidades sindicais com a construção de ambientes de trabalho mais justos, diversos e democráticos.

Acordo como referência
Durante sua palestra, Chris apresentou o Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a CNM/CUT e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) como uma das principais iniciativas da Confederação para fortalecer a atuação sindical na promoção da igualdade racial. Segundo ela, a receptividade ao projeto demonstra que o movimento sindical está disposto a transformar o debate em ações concretas.

“Pernambuco sempre nos recebe com atividades muito importantes, porque o Sindmetal-PE realmente luta pela igualdade racial. Este seminário dialoga diretamente com o nosso acordo com o MIR e saímos daqui fortalecidos e esperançosos de que essa parceria produza resultados concretos”, explicou Chris.

CNM/CUT e Ministério da Igualdade Racial firmam acordo contra o racismo no trabalho

A dirigente ainda destaca que quando a CNM/CUT apresentou esse acordo, percebemos o interesse dos sindicatos em tirar essa iniciativa do papel e colocá-la em prática. Para Chris, esse acordo é um marco e será referência para outras federações, confederações e sindicatos. “Também foi muito importante ver entidades de outras categorias querendo somar nessa luta”, frisou.

Chris ressaltou que a próxima etapa será ampliar o alcance da iniciativa em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), aprofundando o diálogo com as trabalhadoras e trabalhadores por meio de processos de formação e escuta. Em sua opinião, compreender a realidade vivida dentro das fábricas é um passo indispensável para construir políticas de combate à discriminação racial.

“Com a participação da CUT, vamos ampliar ainda mais esse Acordo de Cooperação Técnica. O objetivo é investir em formação, diálogo e escuta, por meio de uma pesquisa com a categoria. Queremos ouvir como essas pessoas se sentem dentro das fábricas e compreender a realidade vivida no dia a dia para construir ações cada vez mais efetivas no enfrentamento ao racismo”, destacou.

Olhar para o futuro
Ao encerrar sua participação, Chris defendeu que a experiência do Sindmetal-PE seja levada para todo o país. Segundo ela, o seminário realizado em Pernambuco deve servir de inspiração para que outros sindicatos filiados à CNM/CUT promovam espaços permanentes de formação e debate sobre igualdade racial.

“É fundamental dar continuidade aos seminários itinerantes. Começamos por Pernambuco, mas queremos que essa iniciativa chegue a todos os estados e sindicatos filiados à CNM/CUT. A experiência do Sindmetal-PE mostra que esse é o caminho para fortalecer o debate sobre igualdade racial. Espero que este seja apenas o primeiro de muitos seminários que ainda vamos realizar”, concluiu.